O que aprendi observando meu filho 

Meu filho ainda não sabe muitas coisas.

Não sabe o que é produtividade, nem o que significa “aproveitar o tempo”. Não se preocupa com o que ficou pendente, com contas para pagar, nem com o que poderia ter sido feito melhor. 

Mas sabe coisas que eu desaprendi.

Sabe se concentrar completamente em algo pequeno, como as peças de encaixe.
Sabe repetir a mesma brincadeira um milhão de vezes sem pressa de passar para a próxima.

Sabe apreciar uma música com completa concentração.
Sabe observar a paisagem com atenção e delicadeza.

Observando ele, percebo o quanto fui me afastando de uma forma mais simples de estar no mundo.

De prestar atenção no que tem ao redor. 

A gente cresce e aprende que tudo tem que ser rápido.

Aprende a fazer várias coisas ao mesmo tempo e, sem perceber, vai deixando de estar completamente em alguma delas.

Ele não.

Quando brinca, está ali.
Quando chora, está ali.
Quando observa, está ali.

Ele está inteiro, presente. 

A gente aprende a ignorar o que não parece grande o suficiente.

Ele ainda não aprendeu isso.

Quando eu saio para passear com ele na rua ele não tem pressa de chegar, ele quer passar a mão na parede, observar os cachorros, pegar a folha da árvore que caiu, espantar os pombos.

E fico pensando em quantas coisas deixamos de ver ao longo do caminho. Quantas pequenas experiências deixamos de viver porque estamos ocupados demais tentando chegar em algum lugar.

Meu filho ainda não sabe muitas coisas.

Mas sabe estar.

E talvez essa seja uma das habilidades mais difíceis de reaprender.

Observar ele tem sido, aos poucos, um convite silencioso para parar, observar e desacelerar. 

Talvez crescer não seja só acumular aprendizados.

Talvez seja também lembrar do que a gente esqueceu.

E as crianças, ensinam a gente isso com maestria. 

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Eu sou a Giulian

Giulian Ola

Seja bem-vinda ao meu mundo. Aqui escrevo sobre a vida, literatura, viagens e poesia. É um lugar para ler com calma e transbordar sentimentos.

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